Mudanças climáticas iminentes
Foi divulgado ontem a segunda parte do relatório sobre o clima global elaborado por cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês). Fazem parte do IPCC cientistas do mundo todo, inclusive pesquisadores brasileiros, como o profº José Antônio Marengo (INPE) e o profº Marcos Buckeridge (IB/USP).
As previsões não são nada animadoras. Até 2100 haverão danos residuais em diferentes partes do planeta, mesmo que haja diminuição de emissão de gases estufa nos próximos anos. O dano já é irreversível.
Entre outras previsões, destacam-se os danos provocados pelo aumento do nível do mar, maior incidência de chuvas, redução da oferta de água potável e produtos agrícolas, assim como perda de biodiversidade por ação humana.
O capítulo 27 do relatório trata especificamente da América Central e do Sul. O profº Marcos Buckeridge, do departamento de Botânica, participou da redação do documento, e enfatiza a ameaça à produção e à qualidade de alimentos pelo aumento da emissão de CO2. O professor também propõe investimentos em biotecnologia que possibilitem plantio em regiões já degradadas para evitar desmatamento em áreas preservadas. O plantio de cana-de-açúcar para produção de biocombustível, por exemplo, ajudaria a recuperar biodiversidade de lugares degradados e ainda aproveitaria o poder de regeneração que as florestas têm enquanto bioma, amenizando os danos ambientais.
O documento é o segundo volume do quinto Relatório de Avaliação elaborado pelo painel da Organização das Nações Unidas (ONU) e as informações são complementares ao primeiro capítulo do relatório, divulgado em setembro passado, que abordava A Base das Ciências Físicas.
Como fazer exsicatas em casa
O vídeo feito pelo site da Veja mostra o processo de fixação de plantas em exsicatas. O departamento de Botânica do IB recebeu o repórter Marcelo Marthe, que explica o processo e ainda o compara com o processo que podemos fazer em casa. Enquanto plantas prensadas em livros podem virar lindos quadros decorativos, o processo feito pelos botânicos visa preservar as estruturas da planta para registro da espécie, bem como facilitar intercâmbio de exemplares entre herbários.
Redescoberta das Américas
Até pouco tempo atrás, acreditava-se que o homem havia chegado ao continente americano por volta de 13000 anos atrás, atravessando a ponte terrestre de Bering – que encontra-se submersa desde o fim da última glaciação, dando lugar ao que hoje é o Estreito de Bering. Mas as últimas descobertas dos arqueologistas contrariam essa suposição, e propõem que o homem tenha povoado as Américas desde 22000 anos atrás.
No Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, foram encontradas provas contundentes de existência humana bem anterior ao que se imaginava. São em geral ferramentas de pedra e pinturas rupestres retratando a rotina de caça, batalhas e até orgias pré-históricas. As descobertas corroboram com outras feitas no Uruguai e no Texas (EUA). A ideia agora é que a migração humana para cá ocorreu não apenas pela ponte de Bering, tampouco em um único período.
“Se eles estiveram certos, e é bem provável que sim, isso vai mudar tudo o que sabemos sobre o povoamento das Américas”, disse o profº Walter Neves ao New York Times.
ENCONTRO DE HISTÓRIA E FILOSOFIA DA BIOLOGIA
DATA: 6 a 8 de agosto (quarta a sexta-feira)
LOCAL: Faculdade de Direito de Ribeirão Preto – USP
A Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia (ABFHiB) promove o encontro para apresentar e discutir pesquisas sobre história e filosofia da Biologia, assim como suas interfaces epistêmicas. O encontro acontece em Ribeirão Preto – Sp. As inscrições foram prorrogadas até dia 15 de abril. Consulte o site da ABFHiB para maiores informações. A programação estará disponível em maio.
Polinização e Produção Agrícola
No último dia 20 de março, a profª Vera Lúcia Imperatriz Fonseca, do Departamento de Ecologia do IB/USP, falou em palestra do segundo encontro do Ciclo de Conferências 2014 do programa BIOTA-FAPESP Educação. Ela comentou sobre o valor econômico que as abelhas têm para o rendimento agrícola brasileiro. “O mel é, na verdade, um subproduto pequeno quando comparado ao valor do serviço de polinização prestado pelas abelhas, que corresponde a quase 10% do valor da produção agrícola mundial”, conta a docente.