Titulo: Cores do engodo: evolução de sinais de alarme e mimetismo em espécies de cobra falsa coral (Colubroidea: Dipsadidae)
Palestrante: Daniel Caetano - Doutorando - University of Idaho - Department of Biological Sciences
Data:29.05.14
Hora:17h
Local:Sala de Seminários do Depto. de Ecologia (n° 250)
Espécies de cobra-coral são reconhecidas pelo seu colorido contrastante, potência do veneno e por formarem um complexo mimético de corais falsas e verdadeiras. As corais verdadeiras são espécies pertencentes à família Elapidae enquanto que parte das espécies de corais falsas estão concentradas na família Dipsadidae. Dipsadidae apresenta cerca de 600 espécies distribuídas nas Américas e Índias Ocidentais. Por um longo tempo encontra-se na literatura a hipótese de que espécies de Elapidae são modelos mimetizados pelos dipsadídeos. No entanto, existem trabalhos que apontam que a relação mimética pode ser invertida, com o principal argumento de que a potência do veneno das corais verdadeiras não permite associação por aprendizado. Outros questionam a existência de um complexo mimético e apontam que a semelhança de coloração seria resultado de convergência dos grupos na mesma estratégia de defesa. Até o momento, evidências disponíveis na literatura são restritas à semelhança fenotípica, co-ocorrência das espécies e associação do padrão de coloração com diminuição na frequência de predação. Neste trabalho buscamos entender os padrões de evolução da coloração das espécies de Dipsadidae e avaliar uma possível associação do fenótipo com diferentes taxas de acumulo de espécies no grupo. Nós utilizamos dados disponíveis na literatura e em repositórios digitais para reconstruir as relações de parentesco do grupo e classificar as espécies em seus respectivos padrões de coloração. Utilizamos modelos de evolução para estimar parâmetros de extinção e especiação dependente da presença dos padrões de cores (modelos BiSSE). Encontramos que linhagens que apresentam coloração semelhante às espécies de corais verdadeiras possuem taxas de diversificação pelo menos duas vezes maiores do que espécies com padrões crípticos. A reconstrução filogenética indica dois momentos independentes na evolução do grupo em que a perda da coloração mimética está associada à ausência de espécies de coral verdadeira na região e com mudanças no comportamento defensivo das espécies de coral falsa. Tanto análises macroevolutivas quanto dados de distribuição geográfica, uso do habitat e comportamento reforçam a ideia de um complexo mimético entre espécies de coral verdadeira (Elapidae) e coral falsa (Dipsadidae) na região Neotropical

