Um espécime datado aproximadamente entre 5.8 e 4.4 milhões de anos foi descoberto em Aramis na Etiópia, e foi classificado como Ardipithecus ramidus. Outra espécie do mesmo gênero foi encontrada em uma região próxima e recebeu o nome de Ardipithecus kadabba. Os fosseis de ambas as espécies incluem fragmentos de crânio, dentes e partes do esqueleto pós-craniano. Partes anatômicas, como o fêmur, a pélvis e os ossos do pé indicam a postura bípede dessas espécies. Paleoantropólogos sugerem que uma espécie do gênero Ardipithecus foi o ancestral dos australopitecíneos.

De fato, o mais importante que devemos notar nesse primeiro período, é o surgimento e o desenvolvimento do bipedalismo, uma das características mais marcantes da humanidade. Essas primeiras espécies são classificadas como pré-australopitecíneos. No entanto, essas espécies eram o que podemos chamar de monos bípedes, pois embora andassem sobre as duas pernas, ainda possuíam modo de vida arborícola, como mostram alguns aspectos de sua morfologia.

Isso nos leva a outra questão, pois a anatomia, assim como a reconstituição do paleoambiente em que essas espécies viveram mostram que, diferentemente do que se pensou por muito tempo, o bipedalismo surgiu em espécies que viveram em ambientes de floresta e bosques, ou seja, em ambientes úmidos, semelhantes aos ambientes onde vivem espécies atuais de grandes monos como chimpanzés e gorilas.

Embora existam questões sobre as vantagens e as desvantagens do bipedalismo, as vantagens parecem ter sido maiores para o sucesso evolutivo naquele ambiente, tais como a capacidade para percorrer longas distâncias quando no chão e mãos livres possibilitando carregar alimentos ou objetos.